CO129-088 - Acting Governor Mercer - 1862 [10-12] — Page 80

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TENDO nos conseguido obter uma copia do Tratado de amisade e commercio entre Portugal e a China, que S. Exa, o Governador de Macau na qualidade de Plenipotenciario de Sua Magestade, com tamanha gloria para a coroa portugueza concluíu em 13 d'agosto ultimo, e sabendo que só depois da ratificação dará o Governo publicidade official ao mesmo Tratado, pois que só então lhe dará vigor: tivemos por agradavel dever reproduzir extra-officialmente a nossa copia, correspondendo assim aos frene- ticos desejos de toda uma população, que, enthusiasmada e jubilosa, festejava hontem com as mais patrio- ticas demonstrações o brilhante reconhecimento dos antigos direitos dos portuguezes na China.

A

Se, na existencia das nações, a apathia póde jamais ter uma desculpa, não é decerto a tradição de um passado glorioso que a dá. A nobreza da historia obriga, e para a invocar como titulo á consideração de extranhos não basta que um paiz se reveja n'ella indolente, mas que, exercendo sempre a sua actividade nos limites que as condições da epocha lhe impoem, preste digno culto aos fastos de que se ufana. nação que, tendo sido grande em adquirir, descuidar na indifferença as conquistas d'esse passado brilhante, não só se arrisca a tornar-se esquecida, mas auctorisa a que a julguem degenerada.

Quando pois todas as potencias da Europa tanto se empenham em consecuções n'estas partes do oriente da Asia, Portugal, que sobre todas tem o direito de uma prioridade illustre, não podia deixar de entrar, de uma maneira clara e digna, na communhão dos grandes interesses que recentes acontecimentos teem desenvolvido cada dia mais.

Mas facilitava-nos esse direito a empreza ?

A par

do Tratado que ahi tendes (conseguido ha dias por um Ministro portuguez, sem desdobramento de bandeiras, ncm apparatos de força) consultai o passado do nosso estabelecimento na China, e vereis que, a despeito de toda a gloria d'elle, é esta a primeira vez que os direitos e privilegios da coroa de Portugal aqui se definem de uma maneira clara e digna,—isto quando de ha muito a poderosa competen- cia de nações mais fortes nos veio tirar o prestigio que os nossos maiores bem souberam conquistar com denodo, mas mal poderam guardar com firmeza. Analysando detidamente o nosso passado glorioso, que a miúdo invocamos com justo orgulho, mas que não obstante tinha de ser a principal difficuldade na disputada negociação do Tratado, póde até dizer-se que só agora as duas nações se collocaram reciproca- mente n'um pé d'igualdade;-porque, ainda que sempre nos respeitaram, mais nos tiveram por subditos fortes que por nação independente e alliada. Das brilhantes embaixadas que mandámos á China, sendo as principaes a de Metello, no reinado de D. João V, e a de Sampaio, no de D. José, é incontestavel

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